Viagem de campo de estudos da disciplina Sistema Terra: Dinâmica e Processos

24 de novembro de 2017


(24/11/2017)

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Em excursão efetuada recentemente, pós-graduandos da disciplina SOL 613 – O Sistema Terra: Dinâmica e Processos puderam ver em campo diferentes relações entre geologia, geomorfologia e pedologia com a professora Cristine Muggler.

Ao invés de descrevermos aqui um relato da viagem, vamos preferir reproduzir um texto preparado por um Doutorando do PPGSNP-UFV sobre a viagem de estudos:

 

“A viagem técnica da disciplina Sistema Terra: Dinâmica e Processos, ministrada pela professora Cristine Muggler, mais uma vez foi de grande importância para o aprendizado dos discentes matriculados.

Com a sensibilidade apurada para observações pedológicas e geológicas, na formação da paisagem, a turma pode observar claramente como se distinguem as suas feições passando pelas diferentes unidades e formações litológicas.

Saindo de Viçosa, perpassando por Ponte Nova, ponto mais baixo nessa primeira etapa, atravessou-se o embasamento cristalino, de rocha Gnáissica, foi possível observar como os bandeamentos se formaram na rocha metamorfizada, e que dentre eles é que se faz o intemperismo orgânico, seja na força de uma raiz ou de uma reação química.

Seguimos em frente para a região mais imponente e complexa da viagem: o Quadrilátero Ferrífero. Passando por confusões litológicas, onde por vezes o que era pra estar em cima, se visualiza embaixo, paramos para observar onde o homem encontrou, entre veios e zonas de contato, o tão apreciado metal dourado. Dalí pra frente, tudo era incrível, de cavernas a museus, conhecendo a história de outros “Sinhozinhos”, até chegar ao alto dos afloramentos quartzíticos do Parque do Itacolomi. Daquelas paragens muito se tirou… de ouro ao chá, o ser humano se sustentou.

Dali, cruzando o interior daquela formação que (super) põe Velhos Rios, Minas e Bações, avançamos pelo Quadrilátero sentido às terras férteis. Dizer férteis, pode incorrer em erro. Mas poesia não se corrige, se sente. E nas regiões calcárias, até em afloramentos de rochas se apresentam verdejantes formações: árvores e variedade de plantas, além de uma história que remete a evolução da vida no planeta, denunciando tal fartura. Chegando ao Sumidouro, Parque que Sr. Lund, famoso descobridor e pesquisador inspirou criação. Ao deixar registros do que fez vida em encontrar, não só vestígios de espécies extintas, de mamíferos gigantes a insetos dentro de cavernas, mas também nas paredes de abrigos rochosos, registros dos descendentes dos hominídios. Suas primeiras artes. Rupestres. Pinturas. Desenhadas com pigmentos e sangue. Daquilo tudo que ali viva, de plantas a animais. Sobrevivendo em Eras passadas, quando o mar era raso, e contrariando a piada aos mineiros, não só de morros se fazia mar em Minas Gerais.

A volta pra casa, passamos por Serras, itabiritos, filitos e quartzitos… De rochas e formações protegidas, como no sertão se fez cangaço, nessas bandas “Canga”, pelo ferro percolado e concentrado, nos topos que antes eram base. Mesmo assim, a água se segurava, mas não conseguiu segurar moça apaixonada, que na volta pra casa, do próprio casório, se fez rolar serra, dando nome ao local, músicas e causos. Dessas histórias, tristes, do ferro ao fogo, do ouro a água, não são de lágrimas que se encheram os aquíferos. Mas dos ciclos que esse planeta já passou, registrados em cada rocha, cada morro, cada solo, que passamos, e nos lençóis se acumulou, permitindo o “desenvolvimento”.

Desenvolvimento. Por fim, perpassando em sinclinais suntuosas, fizemos trajeto de volta à casa. Passamos pelo caminho do desenvolvimento. Esse mesmo que disseca e erode a paisagem por força de explosões e das máquinas, todo o minério que em milhares de anos se fez guardado.

Em poucos anos sendo explorado: num Antropoceno que faria Lund se assustar se do futuro fosse. Perplexo de que em tantos anos um planeta se fez desenvolvido, marcado, guardado…. para então numa geração de segundos geológicos, tudo se faz acabado, explorado e minerado.

Essa viagem técnica fez os discentes não só aprenderem muito com toda história registrada nas rochas e nos museus. Mas também aprender a dimensão do que se trata um tempo geológico, e toda beleza que há por trás de valorizar a natureza e seu trabalho, num sistema complexo e equilibrado, de formações e estruturas que se faz registrado, demonstrando as dinâmicas e processos, do que é ser um lugar habitado, por todos conhecidos como Terra.”

Martin Meyer

 

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